Desde que fui ao Porto que ainda não me recompus, os trabalhos acumulam-se, os exames estão aí à porta, tenho coisas importantes a resolver, decisões para tomar, pessoas a quem responder.. E a única coisa que sinto é dor, uma dor tão grande que nem olhar-me ao espelho se consigo. Desato logo a chorar esteja onde estiver, e acho que não tarda muito não tenho mais lágrimas para chorar.
Não houve uma noite que não tivesse ido dormir sem deitar um olhinho às mensagens antigas com conversas queridas, não houve uma noite que não chorasse. Todos os dias me questiono o porquê de todas as minhas relações correrem mal, e começo a achar que a culpa é minha de alguma forma. Fico facilmente agarrada às pessoas e apesar de ser rapariga com juízo e saber dizer não e mandar dar uma volta quando preciso, fico séculos e séculos a chorar com saudades. Mesmo sabendo que a decisão foi a certa fico sempre com remorsos apesar de nunca voltar atrás com a palavra. Porque acredito, ou acreditava, que se eles não se esforçam para nos conseguirem é que não nos merecem.
Esta foi a primeira e última vez que fui atrás de alguém.. Arrependi-me mal pus os meus olhos nos deles. Consegui perceber que ali não havia mais nada mal ele me abriu a porta e me olhou com 'aquela' cara (tão depressa não me esqueço dela), e comecei imediatamente a sentir arrependimento. Acho que sempre esteve ali bem escondido, o meu instinto tentou pronunciar-se mas quando estamos apaixonadas por alguém nem sempre conseguimos pensar com clareza.
Foi o pior dia da minha vida, um dos. E hoje pela primeira vez começo a ver as coisas de maneira diferente, como ontem adormeci de cansaço nem me lembrei de chorar e hoje acordei em modo zen até chegar à casa-de-banho e ver-me ao espelho, foi quando as memórias voltaram todas, estilo relâmpago. Tentei ignorá-las, meti a pasta dos dentes na escova e lavei os dentes, mas as lágrimas saltaram sem qualquer aviso. Escorreram-me pela cara como uma torneira a pingar. Mas é bom saber que hoje foi um bocadinho diferente. Um bocadinho insignificante, mas que me faz ter uma vontade diferente de fazer as coisas, de me alimentar e de cuidar de mim. Apesar de tudo tenho mantido a calma, tenho estado de luto mas sei que isto não é para sempre e que um dia vai passar.

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